Denúncias sobre trabalho de detentos em escolas de Mandaguaçu geram preocupação e cobrança por esclarecimentos
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Denúncias sobre trabalho de detentos em escolas de Mandaguaçu geram preocupação e cobrança por esclarecimentos
Mães relatam presença de condenados por crimes sexuais em unidades de ensino; Prefeitura e Departamento Penitenciário negam que esse grupo de apenados seja destinado a escolas
A utilização de pessoas privadas de liberdade em serviços realizados por meio de convênio com a Prefeitura de Mandaguaçu tornou-se alvo de uma grave controvérsia no município, após uma mãe relatar a presença, em unidade escolare, de homens que teriam condenações por crimes sexuais.
O assunto ganhou ainda mais repercussão após chegar à Câmara Municipal. Durante a sessão realizada na noite de segunda-feira (10), a vereadora Karina Grossi (PSDB) cobrou esclarecimentos sobre os critérios utilizados para definir os locais onde os apenados podem prestar serviços.
A questão exige atenção especialmente porque envolve ambiente escolar, crianças e adolescentes e pessoas condenadas pela Justiça, além de apresentar versões conflitantes que precisam ser devidamente esclarecidas pelas autoridades responsáveis.
Vereadora levou caso ao plenário
Durante sua manifestação na Câmara, Karina Grossi confirmou a existência de convênio entre o município e o sistema penitenciário para utilização de mão de obra de apenados dentro de ações de ressocialização.
Na tribuna, a parlamentar também reproduziu um áudio que atribuiu à promotora de Justiça da cidade. Segundo a interpretação apresentada pela vereadora, haveria entre os detentos que cumprem pena e trabalham no município pessoas condenadas por crimes sexuais.
A existência de apenados condenados por esse tipo de crime no programa, entretanto, não significa automaticamente que eles estejam sendo destinados a escolas. Esse é justamente o ponto central da controvérsia e sobre o qual existem versões divergentes.
Mãe relata encontro entre filha e homem condenado pelo estupro da adolescente
Segundo o relato da mãe, sua filha, que foi vítima de estupro aos 12 anos, teria encontrado dentro da própria escola o homem condenado pelo crime realizando serviços vinculados ao programa.
“Minha filha foi vítima de estupro e encontrou o criminoso realizando serviços dentro da escola dela. Ela ficou abalada, com medo, e precisei buscá-la porque ela não conseguia permanecer no local com tanta insegurança”, relatou a mãe.
A mãe da adolescente afirma ainda que procurou o prefeito para comunicar a situação, mas não teria recebido resposta.
“Mandei mensagem diretamente para o prefeito, mas ele não respondeu. A Secretaria de Educação jogou a responsabilidade para a direção da escola, e minha filha segue com medo de ir estudar”, declarou.
Para maior segurança a reportagem preserva informações que possam permitir a identificação da mãe e da adolescente.
Segunda mãe também relata presença de detento
Outra mãe que acompanhou a sessão da Câmara e também pediu para não ser identificada apresentou relato semelhante.
Segundo ela, ao levar os filhos para a escola, teria encontrado no portão da instituição um homem que conhecia e que, conforme seu relato, havia sido preso por abuso sexual contra uma criança.
“Fui levar meus filhos à escola e me deparei com um detento no portão. Ele foi preso por abusar sexualmente da própria enteada, que tinha 10 anos na época”, afirmou.
A mulher disse ainda ter levado a situação ao conhecimento da Prefeitura e alegou ter sido ameaçada com medidas judiciais em razão da denúncia.
As declarações das duas mães constituem relatos apresentados à reportagem e precisam ser confrontadas com registros oficiais, principalmente diante da negativa apresentada pelos órgãos responsáveis.
Prefeitura nega que detentos trabalhem nas escolas
Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Mandaguaçu contestou as acusações.
O chefe de gabinete, Adauto Almir Braz, confirmou a existência do convênio para utilização de mão de obra de apenados, mas afirmou que os trabalhos são realizados externamente e negou que detentos nas condições mencionadas estejam atuando dentro de unidades escolares.
“Nunca houve o que ela [vereadora Karina Grossi] diz. Por conta disso, tomaremos todas as providências cabíveis, considerando a gravidade do fato”, declarou.
Segundo Adauto, os apenados que participam do convênio executam serviços em diferentes pontos da cidade e permanecem acompanhados durante as atividades.
“Temos um convênio com o DEPEN, mas para serviços externos em toda a cidade, monitorado pelo próprio departamento e por um diretor do município que acompanha os apenados o tempo todo”, afirmou.
O chefe de gabinete também criticou publicamente as declarações da vereadora, classificando-as como irresponsáveis e afirmando que as denúncias provocam insegurança na população.
Departamento Penitenciário também nega atuação de condenados por crimes sexuais em escolas
Consultado sobre o caso, o Departamento Penitenciário confirmou a existência do convênio com o Município de Mandaguaçu e informou que os apenados utilizados nos serviços externos são supervisionados.
O órgão também negou que presos condenados por crimes sexuais estejam sendo destinados a trabalhos dentro de escolas.
Segundo as informações repassadas pelo Departamento Penitenciário, quando há atividades em estabelecimentos de ensino, seriam utilizados apenados selecionados dentro de outro projeto de ressocialização e submetidos a critérios próprios para esse tipo de ambiente.
A resposta oficial, portanto, diverge dos relatos apresentados pelas mães.
Caso exige esclarecimento documental
Diante da gravidade das denúncias e das versões conflitantes, o caso levanta questionamentos que vão além da própria existência do programa de ressocialização.
A utilização de mão de obra prisional por meio de convênios é uma ferramenta de reinserção social. A discussão em Mandaguaçu, entretanto, está concentrada nos critérios de seleção dos apenados, nos locais para onde são encaminhados e, principalmente, nas medidas de proteção adotadas quando o trabalho ocorre em ambientes frequentados por crianças e adolescentes.
Também será necessário esclarecer documentalmente quais apenados foram destinados às unidades escolares, em quais datas, quais serviços realizaram e quais critérios foram utilizados para autorizar a presença deles nesses locais.
Diante de relatos tão graves, a apuração precisa ser conduzida com responsabilidade, garantindo tanto o direito à ressocialização das pessoas que cumprem pena quanto, de maneira absolutamente prioritária, a segurança e a proteção de crianças e adolescentes dentro do ambiente escolar.
A controvérsia deverá continuar sendo acompanhada pela Câmara Municipal e pelos órgãos responsáveis, enquanto familiares cobram respostas sobre o que efetivamente ocorreu nas escolas de Mandaguaçu.
Postado em 12/08/2026 - Com inf. Equipe Juliano Pinga