Após vereadora acionar TCE contra administração, gestão de Mandaguaçu apresenta representação contra Karina Grossi
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Após vereadora acionar TCE contra administração, gestão de Mandaguaçu apresenta representação contra Karina Grossi
Tribunal de Contas recebeu denúncia que questiona suposto uso de assessor jurídico da Câmara em demanda de interesse particular da parlamentar; vereadora e servidor terão prazo para apresentar defesa
Uma nova disputa envolvendo a Prefeitura e o Legislativo de Mandaguaçu chegou ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR). Depois de a vereadora Karina de Fátima Grossi apresentar uma representação contra a administração municipal questionando a execução de emendas impositivas, a gestão municipal apresentou uma representação contra a parlamentar.
O novo procedimento questiona a atuação do assessor jurídico legislativo Allan Carlos Ferracin Bofete, servidor comissionado da Câmara Municipal. Conforme a representação, ele teria prestado serviços jurídicos à vereadora em uma demanda considerada de interesse particular.
É importante destacar que o recebimento da representação pelo TCE-PR não significa que Karina Grossi ou o assessor tenham sido condenados ou que eventual irregularidade esteja comprovada. O procedimento abre espaço para análise do caso e apresentação das respectivas defesas.
Representação veio após questionamento de Karina contra a Prefeitura
O novo caso ocorre após Karina Grossi recorrer ao próprio Tribunal de Contas para questionar a administração municipal sobre a execução de emendas impositivas.
Na representação anterior, a vereadora pediu esclarecimentos sobre recursos previstos no orçamento municipal para ações como instalação de aparelhos de ar-condicionado no CMEI Favo de Mel, reforma do campo de futebol da Vila Guadiana e implantação de quebra-molas.
No documento, Karina alegou falta de informações suficientes para que o Legislativo pudesse acompanhar a execução das emendas e pediu ao TCE que determinasse a apresentação de documentos e apurasse eventuais falhas. A representação da vereadora contra a administração é datada de 6 de julho de 2026.
Agora, a própria parlamentar passa a responder a questionamentos no Tribunal de Contas.
O que diz a representação contra Karina
De acordo com as informações do processo divulgadas no Diário Eletrônico do TCE-PR, o questionamento envolve a suposta utilização da estrutura pública da Câmara em uma questão particular.
A representação sustenta que Allan Bofete, ocupante do cargo comissionado de assessor jurídico legislativo, teria elaborado petição, protocolado processo e acompanhado uma causa relacionada à vereadora.
O ponto que deverá ser analisado pelo Tribunal é se a atuação ocorreu dentro das atribuições institucionais do servidor ou se houve utilização de um agente remunerado com recursos públicos para atender interesse privado.
O relator identificou elementos suficientes para dar andamento ao procedimento e analisar eventual violação aos princípios que regem a administração pública, especialmente moralidade e impessoalidade.
Vereadora e assessor poderão se defender
Com o recebimento da representação, Karina Grossi e Allan Bofete terão oportunidade de apresentar suas versões e documentos ao Tribunal de Contas.
Por isso, neste momento, não cabe afirmar que houve uso irregular de dinheiro ou da estrutura pública. Caberá ao TCE analisar as alegações da representação e as explicações dos envolvidos antes de chegar a uma conclusão.
Caso lembra discussão envolvendo Cris Lauer em Maringá, mas processos são diferentes
A denúncia também traz à discussão o caso da ex-vereadora de Maringá Cris Lauer, que enfrentou acusações relacionadas à utilização de servidor comissionado, que também era advogado, em demandas particulares.
Apesar da semelhança apontada entre as situações, não é possível afirmar que o caso de Mandaguaçu terá o mesmo resultado. Os fatos, provas, procedimentos e instâncias envolvidas precisam ser analisados individualmente.
No caso de Karina Grossi, o procedimento no Tribunal de Contas está em fase inicial e não existe, a partir das informações apresentadas, decisão condenatória contra a parlamentar.
Disputa agora tem representações dos dois lados
O cenário chama atenção porque Prefeitura e vereadora passaram a ter questionamentos levados ao Tribunal de Contas.
Primeiro, Karina Grossi apresentou representação contra a administração municipal, cobrando informações e providências relacionadas às emendas impositivas.
Posteriormente, a gestão municipal apresentou representação envolvendo a atuação da vereadora e de seu assessor jurídico.
A proximidade temporal entre os procedimentos pode alimentar o debate político em Mandaguaçu, mas, por si só, não comprova que a representação contra a vereadora seja uma retaliação. Qualquer conclusão nesse sentido dependeria de elementos que demonstrassem essa motivação.
Agora, caberá ao TCE-PR analisar os dois procedimentos separadamente, garantindo aos citados o direito de apresentar documentos, esclarecimentos e defesa antes de qualquer decisão sobre eventual responsabilidade.
Postado em 26/08/2026