Ao assinar a PEC 7x0, Moro apoia proposta que pode acabar com a folga semanal remunerada
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Ao assinar a PEC 7x0, Moro apoia proposta que pode acabar com a folga semanal remunerada
Quem acorda cedo no Paraná deveria ficar de olhos bem abertos. O motivo? O fim do seu direito de ter um dia de folga remunerado por semana pode estar com os dias contados. O pré-candidato a governador do nosso estado, o ex-juiz e senador Sergio Moro, assinou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 7x0. Com isso, deixou claro suas intenções, ou melhor, o seu desprezo pelos trabalhadores e trabalhadoras não só do Paraná, mas de todo o Brasil, além do seu desserviço à luta por trabalho digno.
Porém, não causa espanto que Moro tenha assinado a PEC 7x0, assim como não surpreende sua posição contrária à proposta que prevê dois dias de folga por semana para a classe trabalhadora, aprovada pela Câmara dos Deputados. Aliás, sua esposa, a deputada federal por São Paulo Rosângela Moro, também votou contra a medida. Em outras palavras, a pré-candidata a primeira-dama dos paranaenses diz defender a família, mas não quer que você tenha mais tempo para cuidar da sua.
Agora, você, que acorda cedo para trabalhar na fábrica, no restaurante, no comércio, no transporte público ou nos serviços de saúde, acredita mesmo que um ex-juiz, que sempre teve direito a 60 dias de férias, além de recesso forense de, no mínimo, 15 dias, sabe o impacto do que está apoiando? E mais: esse mesmo ex-juiz sempre foi cercado de benefícios, como vale-alimentação e uma infinidade de auxílios, entre eles os de moradia, transporte e educação. E continua desfrutando de inúmeras regalias como senador.
O senador Sergio Moro (PL), assim como o senador Oriovisto Guimarães (PSDB), que também assinou a PEC 7x0, e o pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) aderiram ao discurso de marketing da elite econômica do Brasil. Eles já provaram, de diversas formas, os interesses que defendem. Mas você, trabalhador CLT, MEI ou terceirizado, já parou para pensar nos seus direitos que estão sendo arrancados todos os dias, um após o outro?
Não acredite no discurso bonito da liberdade de negociação, porque a expressão "jornada de trabalho flexível" esconde a precarização. Esconde a retirada do direito às férias remuneradas, ao 13º salário, ao auxílio-doença e aposentadoria. Além disso, sem previsibilidade de renda, você, trabalhador e trabalhadora, terá mais dificuldade para acessar crédito, por exemplo, para comprar a própria casa. Isso mesmo: pode passar uma vida inteira pagando aluguel, sem férias e sem folga semanal. O fim dessa história é previsível: exaustão extrema. Ninguém merece viver desse jeito!
E, para você não dizer que estou exagerando, vou citar exemplos recentes de países desenvolvidos, que já apresentam resultados: desastrosos. Um deles vem do Reino Unido. Durante anos, os chamados "zero-hours contracts" foram apresentados como uma solução moderna para o mercado de trabalho. Nesses contratos, o empregador não garantia qualquer carga horária mínima ao trabalhador, que recebia apenas pelas horas efetivamente convocadas. Com isso, milhões de trabalhadores passaram a conviver com renda imprevisível, jornadas instáveis e dificuldade para pagar a comida do mês.
O caso do Reino Unido foi tão malsucedido que o governo precisou voltar atrás e aprovou no final do ano passado a Lei dos Direitos Trabalhistas (Employment Rights Act), que não acabou com o programa, mas impôs alguns limites. Outro caso semelhante vem dos Estados Unidos, com a chamada gig economy, representada por empresas de aplicativos e plataformas digitais.
A ideia, de novo, foi vendida como uma revolução da liberdade individual. Motoristas e entregadores seriam seus próprios chefes e definiriam seus horários. Porém, a realidade é outra e nós a conhecemos bem: ausência de direitos básicos como férias remuneradas, auxílio-doença e previdência. É só conversar com os entregadores para perceber que, na prática, muitos precisam fazer jornadas exaustivas apenas para garantir uma renda mínima ao fim do mês.
Ou seja, gerar ocupação não é o mesmo que garantir trabalho digno. Todas essas experiências mostram a mesma coisa: a flexibilidade funciona muito bem para as empresas, especialmente para as grandes. Para quem depende do salário para sobreviver, a liberdade de negociação se transforma em insegurança e angústia.
Por isso, mais uma vez, antes de ir às urnas nas próximas eleições, pesquise um pouco sobre o seu candidato favorito. Talvez você descubra que o cordeirinho, na verdade, é o lobo mau, que está à espreita para abocanhar seus direitos.
Postado 12/06/2026 - Por Assessoria Arilson Chiorato